Rodrigo Siqueira Reis
Este material, de autoria de Rodrigo Reis, foi extraído dos anais do
VIII Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida
Outubro de 2008
Nos últimos anos tem aumentado o interesse da comunidade sobre a relação entre a saúde e o bem estar no trabalho. Este interesse é evidenciado pela grande atenção que a mídia em geral, tanto os periódicos científicos como outros de interesse da população, tem dado ao tema (DANNA; GRIFFIN, 1999).
As experiências vividas no trabalho, de natureza física, emocional, mental ou social, afetam as pessoas enquanto estas se encontram nos locais que tais tarefas são executadas (DANNA; GRIFFIN, 1999). Entretanto, estas experiências são extrapoladas para os outros domínios da existência humana, como a família e o lazer. Para Conrad (1998), os trabalhadores passam ao menos 1/3 das horas em que estão acordados no trabalho e não deixam necessariamente as tarefas para trás quando saem destes locais. Na verdade, a vida pessoal e a vida no trabalho não são entidades separadas, ao contrário, são domínios inter-relacionados que tem efeitos recíprocos (CAUDROM, 1997).
Diversos elementos presentes nestes locais aumentam os riscos a que os trabalhadores estão expostos, como as práticas de segurança e saúde nas organizações (PATTERSON, 1997) e os aspectos ergonômicos (HOKE, 1997). Outras ameaças potenciais são as agressões (NEUMAN; BARON, 1997), o assédio sexual (MARTELL; SULLIVAN; 1994) e a natureza da relação entre chefes e subordinados (HORNSTEIN, 1996). Estes elementos, em combinação com as demandas inerentes as atividades laborais, podem representar uma séria ameaça à saúde e bem-estar do trabalhador.
Na verdade, os aspectos relativos à saúde e o bem-estar no trabalho podem ter conseqüências tanto para o trabalhador quanto para a empresa (DANNA; GRIFFIN, 1999). Por exemplo, trabalhadores que apresentam condições de saúde e bem estar reduzidas podem ser menos produtivos, realizar decisões de menor qualidade e apresentar maior probabilidade de faltarem a estes locais (BOYD, 1997).
A partir da segunda metade da década passada diversas evidências têm sido apontadas sobre os benefícios que iniciativas voltadas para a promoção da saúde apresentam para empresas e trabalhadores. Por exemplo, em um estudo de revisão, Blair (1995) destacou que programas de saúde podem aprimorar o estilo de vida dos participantes e como conseqüência, diminuir os riscos para o desenvolvimento de diversas doenças crônico-degenerativas. Outros estudos têm relatado benefícios diversos como a redução dos custos nos cuidados com saúde (WHITMER, 1995), diminuição na incidência e severidade das desordens de traumas cumulativos no trabalho (CHENOWETH, 1995), no absenteísmo (BAUN, 1995) e ainda no aumento da produtividade (SHEPARD, 1995).
Apesar destes argumentos e também do maior interesse demonstrado pela mídia em geral, ainda se observa certa dificuldade para implementar programas voltados para a promoção da saúde no trabalho, tanto pela relutância por parte de empregadores, quanto pela baixa aderência dos empregados (SHEPARD, 2002).
Em parte, esta dificuldade é provocada pela carência de modelos que permitam discutir apropriadamente a interação entre os fatores que afetam a saúde e o bem-estar no trabalho. Neste sentido, Danna; Griffin (1999) desenvolveram, a partir dos trabalhos de COOPER; MARSHAL (1978) e MAKADOK (1995), um modelo para discutir esta interação (Figura 3)
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